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Consumo excessivo de lcool na balada expe homens e mulheres a riscos diferentes

16/05/2017 ( Caderno: Matérias )


Um levantamento feito com 2.422 jovens frequentadores de baladas na cidade de So Paulo revelou que a prevalncia de consumo abusivo de lcool nessa populao de 43,4% ndice bem superior ao observado na populao brasileira como um todo: 18,4%.

No dia em que foram entrevistados, 30% dos baladeiros deixaram a casa noturna com um nvel alcolico que se enquadra no chamadobinge drinking (ao menos quatro doses para mulheres e cinco para homens em um perodo aproximado de duas horas), um padro de consumo de risco associado em diversos estudos a maior ocorrncia de abuso sexual, tentativas de suicdio, sexo desprotegido, gravidez indesejada, infarto, overdose alcolica, quedas e outros problemas de sade.

A pesquisa foi coordenada por Zila Sanchez, professora do Departamento de Medicina Preventiva da Escola Paulista de Medicina (EPM), Universidade Federal de So Paulo (Unifesp), e contou comapoio da FAPESP.

Os resultados indicam que homens e mulheres se expem a riscos diferentes quando saem intoxicados da balada. Enquanto eles esto mais sujeitos a fazer uso de drogas ilcitas e a dirigir embriagados, elas tendem a continuar bebendo e correm maior risco de overdose alcolica, disse Sanchez.

Observamos ainda que, no caso das mulheres, beber em excesso triplica a possibilidade de sofrer abuso sexual nos estabelecimentos, disse.

As entrevistas foram feitas com jovens entre 21 e 25 anos 60% homens e 40% mulheres , que aceitaram participar com a garantia de anonimato. Os participantes foram abordados em 31 estabelecimentos da capital paulista, situados em diferentes bairros e voltados a diferentes classes sociais e estilos musicais.

Buscamos compor uma amostra representativa das baladas da cidade. Entramos em contato com os donos ou gerentes e pedimos autorizao para a coleta de dados. Bordis e casas deswing no foram includos, pois nosso foco foram os locais em que as pessoas vo para danar, disse Sanchez.

Cada estabelecimento foi visitado por uma equipe de oito pesquisadores uniformizados seis dedicados a entrevistar voluntrios e dois a observar fatores ambientais que poderiam influenciar o consumo de lcool, como temperatura, umidade, iluminao, presso sonora, nmero de mesas e de pistas de dana e promoes para a venda de lcool.

A primeira entrevista foi feita ainda na fila de entrada. Os voluntrios responderam a questes sobre o perfil sociodemogrfico (idade, profisso, escolaridade, renda), a prtica do esquenta pr-balada (local, tipo de bebida consumida, frequncia, gastos), o padro convencional de uso de lcool (durante a vida e recente) e a experimentao de outras drogas ao longo da vida. Em seguida, foram submetidos ao teste do bafmetro e ganharam uma pulseira numerada para identificao.

Ao final da balada, o teste do bafmetro foi repetido com os mesmos participantes, que tambm informaram a quantidade de lcool consumida e o dinheiro gasto no estabelecimento. No dia seguinte, os entrevistados receberam em seu e-mail um link para um novo questionrio, no qual tinham de relatar o que fizeram aps deixar a casa noturna.

Dos 1.222 voluntrios que concluram as trs etapas de perguntas, 10% disseram no se lembrar do que fizeram depois de sair da balada. Muitos disseram ter mantido relao sexual, mas no sabiam com quem. Ou ter acordado em um local estranho ou no se lembrar como haviam chegado em casa. Isso bastante preocupante, disse a pesquisadora.

De acordo com Sanchez, a venda de bebidas no sistemaopen bar em que se paga um valor fixo e o consumo liberado foi o principal fator ambiental associado intoxicao. Isso aumentou no apenas o consumo de lcool, como j era esperado, mas tambm o de drogas ilcitas. Nas baladasopen bar, chega a ser 12 vezes maior a probabilidade de haver consumo de ecstasy [metilenodioximetanfetamina], maconha, cocana e at quetamina, um anestsico para cavalos com efeito alucingeno, contou.

A presso sonora e o estilo musical tambm influenciaram o padro de consumo de lcool dos frequentadores. De acordo com os resultados, quanto mais alto era o som ambiente, maior era a possibilidade de os baladeiros deixarem o estabelecimento intoxicados. Nas casas especializadas em msica eletrnica ou em hip hop, foi mais prevalente o consumo de lcool associado ao de drogas ilcitas. Por outro lado, os casos de intoxicao alcolica foram bem menos frequentes nas casas especializadas em forr ou zouk, locais onde o foco dos frequentadores parece ser, de fato, a dana.

Nas baladas LGBT (lsbicas, gays, bissexuais e transexuais), particularmente nos estabelecimentos voltados ao pblico masculino, chamou a ateno dos pesquisadores a maior prevalncia no uso de quetamina e na prtica de sexo sem proteo mesmo havendo oferta gratuita de preservativo nos locais.

O levantamento mostrou ainda que, de maneira geral, o esquenta pr-balada mais comum entre os homens, que chegaram casa noturna com nveis alcolicos mais elevados. Na sada, porm, as mulheres apresentaram dosagens equivalentes, o que indica um consumo feminino maior dentro do estabelecimento.

Ns tnhamos, inicialmente, a hiptese de que o objetivo do esquenta era economizar, reduzindo a compra de bebida dentro da balada. Mas, na realidade, aqueles que chegaram ao estabelecimento com nveis elevados de lcool acabaram bebendo mais que os outros. Portanto, so indivduos que tm um padro de beber mais e, consequentemente, um gasto maior, disse a pesquisadora.

De olho no lucro

Em paralelo ao levantamento epidemiolgico, o grupo da Unifesp realizou um estudo qualitativo com aproximadamente 30 donos ou gerentes dos estabelecimentos includos na pesquisa, dados apresentados na tese de doutorado de Claudia Carlini, comBolsa da FAPESP.

Segundo Sanchez, muitos admitiram a venda de bebida adulterada como estratgia para aumentar o lucro, principalmente nos locais que adotam o modeloopen bar. Alguns entrevistados relataram diminuir propositalmente a potncia do ar condicionado com o intuito de elevar a temperatura ambiente e, assim, estimular o consumo de lcool pelos frequentadores. No entanto, os resultados da pesquisa epidemiolgica no indicaram a temperatura como um fator que influencia o consumo.

Embora a maioria tenha afirmado no aprovar a venda ou uso de drogas ilcitas em seus estabelecimentos, admitiram no coibir a prtica feita de forma clandestina por medo de espantar clientes e ter o lucro reduzido.

Quando iniciamos a pesquisa, pensvamos em usar os dados para desenhar estratgias de interveno que pudessem ser aplicadas nesses estabelecimentos para diminuir o consumo abusivo de lcool. Porm, o estudo qualitativo mostrou ser pouco vivel esse tipo de medida. Os donos no esto abertos a intervenes que possam vir a comprometer seu faturamento mensal, avaliou Sanchez.

Para a pesquisadora, somente polticas pblicas poderiam amenizar o problema. Uma proposta seria combater a venda de lcool no modeloopen bar e as demais promoes que tornem a bebida muito barata. Outra medida interessante seria proibir a venda para pessoas que j apresentam sinais de intoxicao, como fala pastosa e olhos vermelhos. Isso j feito em diversos pases. A ideia no extinguir o consumo e sim garantir que as pessoas deixem os estabelecimentos em condies mais seguras, disse.

Modelo de interveno

Os 1.222 baladeiros que responderam as trs etapas de questionrios foram convidados a participar de uma interveno on-line inspirada em um modelo desenvolvido na Austrlia para reduzir a prtica debinge drinking entre universitrios. Desses, 1.057 concordaram em participar da interveno e 465 concluram o estudo e foram acompanhados ao longo de 12 meses.

Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos. A metade considerada como grupo controle apenas respondeu a algumas questes sobre padres de consumo de lcool. Os demais, alm do questionrio, receberam ao final uma tela com um conjunto de informaes como o quanto a pessoa gastava por ano com bebidas, que tipo de coisas ela poderia comprar com esse dinheiro e em que faixa de risco est enquadrada (uso leve, moderado, pesado ou dependncia).

Essa tela de interveno tem como objetivo mostrar ao indivduo se ele est fora do padro de consumo para sua faixa etria e fora de um perfil de consumo considerado seguro, explicou a pesquisadora.

De acordo com Sanchez, os resultados desse estudo especfico no foram claros. Entre os jovens que estavam nas faixas de consumo intenso, foi observada uma reduo ao longo dos 12 meses tanto no grupo controle como no grupo que recebeu a interveno. J entre aqueles que bebiam pouco, houve aumento no consumo durante o perodo analisado tambm nos dois grupos.

H vrias hipteses para explicar esse desfecho, entre elas a existncia de um vis estatstico. Mas, do ponto de vista de sade pblica, os dados reforam a ideia de que esse tipo de interveno s deve ser feito com quem realmente bebe em excesso, caso contrrio pode at ser prejudicial, afirmou Sanchez.

A pesquisa teve incio em 2012 e envolveu tambm a participao da mestrandaMariana Guedes Ribeiro Santos e dos bolsistas de iniciao cientficaRaissa Reis dos Santos,Karen Jennings Ribeiro,Miguel Rodolpho Benjamin eYago Carvalho Baldin.

Mais informaes sobre o projeto e seus resultados podem ser encontradas no site:www.baladacomciencia.com.br.


Fonte: Agncia Fapesp / Foto Divulgao


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