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Pesquisa CRECI no Estado de SP: Desconto nos preços sobe até 53%, mas não salva venda de imóveis usados. Locação em alta


24/03/2017 ( Caderno: Matérias )

No mês de janeiro, os donos de imóveis aumentaram em até 52,66% os descontos que costumam aplicar aos preços originais de venda, mas isso não foi suficiente para garantir um volume maior de negócios que o de dezembro no Estado de São Paulo. Pesquisa feita pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado (CRECISP) com 1.050 imobiliárias de 37 cidades constatou queda de 11,19% nas vendas, mesmo percentual registrado em janeiro do ano passado.

 

Mesmo assim, imóveis em áreas nobres anteriormente anunciados a R$ 890 mil, puderam ser adquiridos por R$ 800 mil, pois o desconto médio praticado pelos proprietários foi de 10,03% nesse período. Esse percentual é 52,66% maior que os 6,57% oferecidos em dezembro. Em bairros de periferia, economizou mais de R$ 30 mil quem optou pelos imóveis de preço anunciado até R$ 330 mil. O desconto médio nesse caso aumentou 42,11% ao passar de 6,84% em dezembro para 9,72% em janeiro.

 

“Foi um mês de oportunidades para quem teve condições de comprar casa ou apartamento, já que pôde pagar menos pelo imóvel desejado, enquanto que para os donos de imóveis que ajustaram o preço à realidade de mercado, representou um respiro de liquidez em meio à crise econômica que entrou no terceiro ano seguido”, avalia José Augusto Viana Neto, presidente do Creci paulista. O Índice Crecisp, indicador que mede o comportamento mensal dos aluguéis novos e dos preços de imóveis usados nesse grupo de cidades, registrou queda de 9,48% em relação a dezembro.

 

Os descontos maiores em janeiro beneficiaram compradores de imóveis situados tanto em bairros de áreas nobres quanto nas áreas centrais e nas regiões de periferia das cidades pesquisadas. Nos bairros centrais, o desconto médio foi de 9,4% em janeiro, ou 18,84% a mais que os 7,91% praticados em dezembro.

 

“A queda nas vendas no primeiro mês de 2017, embora tenha sido a segunda seguida em cinco anos, não significa necessariamente que o ano vá fechar no vermelho”, ressalva Viana Neto. Ele cita como exemplo o ano passado, que começou com queda de 11,19% em janeiro sobre dezembro e terminou com aumento acumulado de 21,43% nas vendas de casas e apartamentos. Em 2015 também ocorreu a mesma situação: o ano começou em baixa (queda de 8,27% sobre dezembro) e terminou em alta (saldo acumulado de 48,02%).

 

Locação em alta

 

A pesquisa do CRECISP mostrou que o mercado de locação residencial comportou-se de forma diversa do mercado de venda de imóveis usados. Em janeiro, aumentou 22,45% o número de casas e apartamentos alugados no Estado de São Paulo em relação a dezembro. Foi o quinto ano seguido em que o mês de janeiro exibe resultado positivo (ver quadro abaixo).

 

“Janeiro é o tradicional mês das mudanças”, explica José Augusto Viana Neto, presidente do CRECISP. Segundo ele, tradicionalmente muitas famílias aproveitam as férias para se mudar de bairro ou cidade e jovens aprovados em vestibulares alugam imóveis nas cidades onde vão estudar ou em localidades próximas, que costumam ter aluguel mais barato. “Foi o caso este ano, em que as cidades da Grande São Paulo pesquisadas pelo CRECISP concentraram 57,15% dos novos contratos”, ressalta.

 

Assim como aconteceu com o mercado de imóveis usados, o aumento dos descontos sobre os valores iniciais dos aluguéis contribuiu para o crescimento das locações no período, mas em nível muito menor. Em bairros de áreas nobres, o desconto médio foi de 11,41%, percentual 15,96% superior ao desconto médio de 9,84% apurado em dezembro. Nos bairros centrais, o desconto médio cresceu 15,24%, de 10,76% em dezembro para 12,4% em janeiro. Nos bairros de periferia, porém, o desconto médio em janeiro (10,88%) foi 6,13% inferior ao de dezembro (11,59%).

 

O presidente do CRECISP também destaca o papel da crise nesse aumento das locações em janeiro. “A perda de poder aquisitivo com o achatamento salarial e o desemprego forçaram muitas famílias a se mudar para imóveis mais baratos e até mesmo trocar de cidade, e janeiro calha de ser o mês em que as pessoas, no geral, têm mais tempo livre para fazer essas mudanças”, afirma Viana Neto. Essa troca de endereço fez com que, ao longo do ano passado, houvesse meses em que o número de imóveis devolvidos superasse o de novas locações.

 

Ele evita prever qual será o comportamento do mercado de locações este ano, embora o histórico de 2016 e 2015 indique ser possível esperar bons resultados. Os dois anos apresentaram crescimento do número de locações em janeiro e terminaram com saldo positivo em dezembro: em 2016, alta de 15,28% em janeiro sobre dezembro e crescimento acumulado de 19,75%; e, em 2015, aumento de 3,7% em janeiro e alta acumulada de 48,02%.

 

“Tudo vai depender de como a Economia se comportará”, afirma Viana Neto. Segundo o presidente do Creci paulista, a superação da crise, com a retomada do crescimento e a geração de empregos, favorece a indústria imobiliária como um todo, mas especialmente os imóveis novos, lançados na planta ou já prontos pois as pessoas têm mais renda e condições de comprá-los, além de mais crédito disponível. “Na crise, busca-se preferencialmente o imóvel mais barato, que é o usado, e quando não é possível comprá-lo, aluga-se”, justifica.

Venda e locação de imóveis – Estado de SP

 

Jan2017 (*)   Jan2016 (*)    Jan2015 (*)     Jan2014 (*)    Jan2013 (*)
Venda:       - 11,19%        - 11,19%         +   3,7%           +   9,4%         +   0,96%
Locação:   + 22,45%       + 15,18%       + 29,69%            + 28,48%        + 16,41%

 

(*) variação percentual sobre o mês anterior

 

 

Capital e Interior puxaram a
queda das vendas em janeiro

 

 

A queda de 11,19% nas vendas de imóveis usados no Estado de São Paulo em janeiro comparado a dezembro ocorreu por causa dos maus resultados apurados pela pesquisa CRECISP em duas das quatro regiões em que o levantamento é feito: a Capital, com queda de 43,02%, e o Interior, com baixa de 16,22%. Houve crescimento no Litoral (+ 10,64%) e nas cidades de Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Guarulhos e Osasco (+ 14,11%).

 

As 1.050 imobiliárias que o CRECISP consultou venderam 54,33% do total em apartamentos e 45,67% em casas. O índice estadual de vendas recuou de 0,3217 em dezembro para 0,2857 em janeiro. Os imóveis mais vendidos – 59,67% do total - foram os que custaram aos novos donos até R$ 300 mil. Na divisão por faixa de preço, predominaram os imóveis com preço final de até R$ 4 mil o metro quadrado, somando 65,81% dos contratos de venda formalizados nas imobiliárias.

 

A maioria das vendas (58,67%) foi feita por meio de financiamento bancário, seguindo-se as vendas à vista (33,67%), as financiadas diretamente pelos proprietários (6,67%) e as que utilizaram crédito de consórcios imobiliários (1%). Das quatro regiões que compõem a pesquisa CRECISP, a formada pelas cidades do A, B, C, D mais Guarulhos e Osasco foi onde mais se venderam imóveis financiados (77,05% do total).

 

Imóvel com aluguel mensal de até
R$ 1 mil é o preferido em São Paulo

 

 

O crescimento de 22,45% nas locações de janeiro sobre dezembro foi influenciado sobretudo pelo resultado apurado nas cidades de Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Guarulhos e Osasco, que cresceu 57,15%. No Interior, houve alta de 31,93% e na Capital, de 0,52%. No Litoral, o número de novas locações em janeiro foi 3,65% inferior ao dezembro.

 

Casas e apartamentos com aluguel mensal de até R$ 1.000,00 foram os preferidos dos paulistas que alugaram imóvel em janeiro no Estado de São Paulo. A pesquisa feita pelo CRECISP com 1.050 imobiliárias de 37 cidades apurou que 55,93% das novas locações foram contratadas por esse preço.

 

Outras preferências constatadas pela pesquisa: 75,1% desses imóveis estão localizados em bairros de áreas centrais das cidades, distribuindo-se os demais pela periferia (16,76%) e bairros nobres (8,04%); e as casas superaram os apartamentos em número de unidades alugadas (52,9% do total e 47,1%, respectivamente).

 

A maioria das locações em janeiro no Estado foi contratada com a garantia de um fiador pessoa física, presente em 58,23% dos contratos. As demais formas de garantia foram o depósito de três meses do valor do aluguel (17,49% do total), o seguro de fiança (11,75%), a caução (8,9%), a cessão fiduciária (3,13%) e a locação feita sem garantia (0,52%).

 

As 1.050 imobiliárias pesquisadas nas 37 cidades receberam de volta um número de imóveis de inquilinos que desistiram da locação equivalente a 89,9% do total de novas locações de janeiro. As devoluções se deram por motivos financeiros (45,59%) ou outras razões (54,41%).

 

A inadimplência cresceu 5,9% em janeiro. Ela foi de 5,26% do total de contratos em vigor nas imobiliárias consultadas em dezembro para 5,57% em janeiro.

 

A pesquisa CRECISP foi realizada em 37 cidades do Estado de São Paulo. São elas: Americana, Araçatuba, Araraquara, Bauru, Campinas, Diadema, Guarulhos, Franca, Itu, Jundiaí, Marília, Osasco, Piracicaba, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Rio Claro, Santo André, Santos, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, São Carlos, São José do Rio Preto, São José dos Campos, São Paulo, Sorocaba, Taubaté, Caraguatatuba, Ilhabela, São Sebastião, Bertioga, São Vicente, Peruíbe, Praia Grande, Ubatuba, Guarujá, Mongaguá e Itanhaém.

 


Fonte: Creci


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