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    Viagem ao Vinho do Porto: Pé na Uva


    Assim como a maioria dos brasileiros, entendo pouco de vinho. Não é pra menos, uma vez que a “mania nacional” é a cerveja, bebida alcoólica mais consumida no Brasil, com uma média de consumo de 47,6 litros/ano por habitante, ficando na frente da cachaça.

    Mas, atraída pela trajetória do vinho na história e na cultura de várias civilizações, resolvi pesquisar sobre a sua origem e participar da colheita para descobrir um pouco mais sobre o assunto e, a partir daí, exercer uma apreciação mais orientada para os sabores dos diferentes vinhos de todo o mundo.


    EMBEBIDO NA HISTÓRIA
    Como, quando e onde surgiu o vinho, são perguntas que ninguém pode responder com absoluta convicção. O fato é que, a história do vinho se confunde com a história da arte e da literatura.
    Evidências de produção de vinho remontam a mais de 6.000 anos AC. Os antigos habitantes do Cáucaso e da Mesopotâmia foram os primeiros povos a cultivar uvas e fazer vinho.

    MINORIA PRIVILEGIADA

    O vinho era muito apreciado pela elite da época e disponível apenas a uma minoria dos cidadãos. Embora os egípcios não tenham sido os pioneiros na produção de vinho, foram os primeiros a registrar, em tábuas de pedra e paredes de túmulos a plantação da uva, o processo de fabricação do vinho e da celebração de seus valores. Estas foram as primeiras citações pictóricas.

    ANO “DOURADO”
    No final do verão (europeu) de 2003, época da colheita, decidi botar a mão (e o pé) na massa e viajei para a região do Douro, em Portugal, fazendo a ROTA DO VINHO DO PORTO para participar da vindima, um dos maiores acontecimentos no Peso da Régua.

    Os vinhos mais conhecidos de Portugal são os tradicionais vinhos do Porto e Madeira. Entre as regiões incluídas no grupo dos DOC (Denominação de Origem Controlada) quatro se destacam pela produção de excelentes vinhos:VINHOS VERDES, BAIRRADA, DOURO e DÃO.  

    A região do Douro, no norte de Portugal, é conhecida como a pátria dos vinhos do Porto. Nesta área de montanhas, próxima à Espanha, vinhedos em forma de terraços, nas encostas do Rio Douro, produzem castas tipicamente ibéricas que fazem parte da composição dos 6 tipos de vinho do Porto comercializados.

    O clima, a riqueza do solo e a localização privilegiada atraíram os agricultores que iniciaram o cultivo dos vinhedos há vários séculos.

    Em meados de setembro, as uvas estão prontas para a colheita e todas as cidades ribeirinhas, são mobilizadas para esta atividade sazonal, onde colhem, pisam e preparam o vinho para ser engarrafado.

    São chamadas de “QUINTAS” as fazendas onde se cultivam vinhedos.
    Todos os anos a tradição se cumpre e, pelas quintas da Régua, a euforia dá o ritmo durante um mês, enquanto se apanha e se pisa a uva fazendo jorrar os vinhos que levam, prá longe, o nome da região.

    Ao longo das encostas, pelos vinhedos delineados no horizonte, as mulheres colhem as uvas entoando cantigas populares enquanto os homens carregam, às costas, os cestos vindimos lotados, cujo destino serão os lagares onde a uva é pisada à moda antiga.

    A TRADIÇÃO É: COLHER, PISAR E BEBER

    Eu entre o herdeiro da Pacheca e o ator global Luigi Baricelli que gravava ali a novela “Sabor da Paixão”. (ao lado)

    Fui convidada pela tradicional família Serpa Pimentel, da Quinta da Pacheca, a participar da vindima de setembro de 2003. A Quinta da Pacheca possui 36 hectares de plantação, com aproximadamente 162 mil videiras. Na colheita, 26 pessoas devem colher 12 mil quilos de uva por dia, ou seja, cada pessoa deve cortar 750 quilos por dia. Para cobrir esse número, trabalham, duro, 8 horas por dia durante 30 dias. Pelo trabalho, os vindimeiros recebem, em média, uma diária de 30 Euros.
    Algumas Quintas mecanizaram o sistema de colheita, mas a maioria prefere a tradicional, ou seja, colher com as mãos e prensar com os pés.

    Eu quis sentir na pele a sensação dos vindimeiros e me embrenhei logo cedo nas plantações, para colher a uva.  Depois de um longo e cansativo dia de colheita, fui me preparar para a pisa no lagar.

    Lagar trata-se de um tanque de uns 100 metros quadrados com, aproximadamente, 70 centímetros de profundidade, onde são jogadas as toneladas de uva a serem pisadas.

    RITUAL DA PISA

    Há um ritual a ser cumprido antes de se entrar no Lagar para a pisa da uva.Homens e mulheres vestem-se com short e camisa xadrez (assim manda a tradição) lavam os pés e uma vez dentro do lagar, trançam os braços fazendo uma corrente humana, assegurando-se, assim, que toda a extensão do lagar seja pisada indistintamente.

    Enquanto andávamos de braços trançados, de uma borda à outra do lagar, o líder da pisa ia entoando cantigas populares, acompanhado pelos demais participantes. A cada 5 idas e voltas era servida uma rodada de vinho aos “pisadores”.

    Depois de algum tempo dentro do lagar, com o líquido fermentado acima dos joelhos, tive a sensação de que centenas de alfinetes me entravam na pele (fenômeno causado pela alta fermentação do mosto).

    Depois de pisada, a uva fica fermentando de 3 a 10 dias, quando então, o açúcar transforma-se em álcool e a casca flutua, deixando o precioso líquido no fundo do lagar. Para que o vinho seja tinto, é preciso manter em contato a pele e o sumo para que a cor seja transmitida ao mosto, (sumo fresco da uva na primeira etapa da fermentação)

    Só depois deste processo, o vinho será filtrado e colocado em tonéis, para posteriormente ser engarrafado.


    Este conjunto de  azulejos mostra um lagar onde as uvas são pisadas com os pés descalços. Uma tradição antiga, que ainda pode ser apreciada nas vindimas de Portugal. (ao lado)


    Acabada a vindima, a Régua prossegue seu ritmo normal, emoldurada por uma paisagem magnífica e banhada pelo rio Douro, por onde chegam turistas de todos os cantos do mundo para conferir o encanto da região e desfrutar da emoção de uma nova vindima.

    Quem quiser participar desta inesquecível experiência, pode entrar em contato com a Quinta da Pacheca através do email:
    pacheca@mail.telepac.pt.

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    Márcia Pavarini
    Ao longo de vários anos Márcia Pavarini percorreu o mundo viajando por todos os continentes e até aos Pólos. Foi anotando suas aventuras em diários que, hoje, perfazem aproximadamente 5.000 páginas. Ela esteve, até agora, em 240 países, de acordo com o critério de contagem da Travelers Century Club TCC. Na Coluna “Diário das 1001 Viagens” Márcia Pavarini divide com os internautas, do Portal, as experiências vivenciadas durante suas andanças.

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