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Episódios inéditos extraÃdos dos diários de viagem de Marcia Pavarini
Por Márcia Pavarini
A CALCULADORA QUE N�O CALCULAVA

Bali

Legian Street
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A Legian Street, no bairro de Kuta, é um dos pontos de comércio mais aquecidos de Bali. Em quase todas as lojas há um balcão de câmbio de moedas estrangeiras. AtraÃdos por valores bem acima dos oferecidos pelos bancos oficiais, os turistas costumam cair em pegadinhas tÃpicas. Uma delas é o cambista fazer a troca devolvendo 15% a menos, o que dá no mesmo câmbio dos bancos. Se descoberto, ele justifica dizendo que é comissão. Se você não aceitar, ele desfaz o negócio. Outra é entregar uma montanha de notas de pequeno valor, apostando que você não terá paciência de contá-las até o fim e descobrir que (mais uma vez) faltam os 15%. Se reclamar, ele pega de volta, alegando que não tem cédulas de maior valor.
Apesar de conhecer bem os dois golpes, caà num terceiro, absolutamente inesperado. Quando o cambista perguntou quanto eu queria trocar, ofereceu sua calculadora e eu mesma fiz as contas. Só quando cheguei ao hotel percebi que faltavam 100.000 rúpias! Quem, afinal, imaginaria uma calculadora adulterada?
O BUDA QUE NINGU�M MAIS VER�
Afeganist�o 1979

Buda de Bamiyan
Foi preciso falar muito em Pelé e café a fim de conseguirmos permissão dos militares para visitar o Vale de Bamiyan (foto abaixo), no Afeganistão. O Vale de Bamiyan está situado nas rotas das caravanas entre a Ãndia e a Ãsia Central e foi berço de diversas culturas, onde floresceu o Budismo antes da difusão do islamismo, o que justifica a presença da fenomenal estátua de Buda. O gigantesco Buda, de 60 metros de altura, esculpido em um nicho de 8 metros de profundidade, fora entalhado diretamente na rocha, nos séculos IV e V a.C. Seu rosto e mãos eram, originalmente, recobertos de ouro. 
Finalmente, o general autorizou a visita, mas com a condição de que voltássemos no mesmo dia, pois ele não poderia garantir nossa segurança. Acordamos à s 6h30 e corremos para o aeroporto. Éramos os únicos turistas. Não só do avião como, talvez, do próprio paÃs, já que a situação do Afeganistão era bem complicada.
Ao desembarcarmos, fomos recebidos por vários militares que, cordialmente, vieram dar as boas-vindas e, ao mesmo tempo, saber “que diabos estávamos fazendo láâ€. Um deles mandou que esperássemos sem dizer o porquê. É que não poderÃamos sair para visitar o tal Buda sem um esquema de segurança, embora a estátua ficasse a apenas 20 minutos a pé da base. O comandante forneceu, então, um jipe com motorista e dois soldados armados com metralhadoras. E lá fomos nós para o city tour mais esquisito do mundo.
Enquanto caminhávamos aos pés do Buda, notamos muitos cartuchos de balas pelo chão. Perguntei ao oficial se havia acontecido algum combate ali. Embaraçado, ele explicou que o local era usado como campo de treinamento de tiro. Fiquei me perguntando se o alvo não seria a cabeça dos rebeldes.
Da estátua do Buda de Bamiyan, relÃquia admirada por Alexandre Magno e comentada por Marco Polo, sobraram apenas os escombros. Há alguns anos, fanáticos rebeldes do Taleban explodiram a estatuÌa, após tomarem o poder na região, por encararem-na como heresia ao islã. Acho que fomos um dos poucos turistas ocidentais que tiveram o privilégio de vê-la.
Veja no próximo episódio:
CUIDADO! UM GREGO NO VOLANTE, CORRE QUE LÃÂ VEM
O TOURO EÂ UM DESCUIDO PODE DAR MER...
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