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    Quirguistão: Um elo da Rota da Seda. Por Márcia Pavarini
    Postado em 07/03/2006

    (Veja fotos na galeria  abaixo da matéria)

    Um tecido de extrema leveza e elegância conquista homens e mulheres do Império Romano no século I ª C. O misterioso tecido, vindo do longínquo Oriente, chegava até os palácios romanos depois de percorrer milhares e milhares de quilômetros no lombo dos camelos e burros pela chamada ROTA DA SEDA.


    Levas de comerciantes e viajantes, agrupados em caravanas, atravessavam longas distâncias passando por vastas estepes, perigosos desertos, enfrentando os desafios das montanhas e ataques de pilhagens para que o produto chegasse são e salvo até os Cais de Veneza.

    Desde então, a seda, símbolo de sofisticação e riqueza, era o primeiro produto de troca entre a China e o Ocidente.

    O Quirguistão, um país montanhoso de rara beleza, ficava na rota das caravanas e ainda hoje,   guarda em seus domínios os segredos dos conquistadores, os vestígios das antigas caravanas da seda, as marcas da cultura mongol e as cicatrizes da invasão russa (de 1866 a 1991).  

    O prefixo “QUIRGUI” vem do turco antigo que significa quarenta tribos e o sufixo “STÃO” significa terra, portanto, QUIRGUISTÃO era a chamada terra das quarenta tribos.


    Na rota da seda

     

    Assim que desembarquei no aeroporto de Bishkek, capital do Quirguistão, Sergei, um jovem Kirgyz de origem Russa, já me esperava agitando a placa de identificação. Sergei seria o meu guia durante os próximos 12 dias no país.

    Acomodada numa potente Nissan 4X4, parti para o meu primeiro dia de aventura, deixando para trás as largas avenidas e a austera arquitetura russa que domina a cidade edificada em despojado concreto cinza.      

    Aos poucos, a paisagem áspera ia dando caminho à serenidade bucólica, por onde transpira a natureza nômade do povo Kyrgys.

    O Quirguistão é predominantemente agrícola.O povo Kyrgyz, de tradição nômade, sobrevive da agricultura e de atividades pastoris. Os principais produtos agrícolas são trigo, batata, beterraba, algodão, tabaco e frutos.



    BUZKASHI –TRADICIONAL JOGO HÍPICO DA ÉPOCA DE JENGIS KHAN (século 13) ONDE A BOLA É UM CABRITO SEM CABEÇA

    A primeira parada foi para assistir ao BUZKASHI, um jogo tão tradicional para o povo Kyrgyz quanto o futebol para os brasileiros, a diferença é que o Buzkashi remonta ao século 13, quando então, o grande conquistador mongol Jengis Khan já se divertia assistindo às competições.

    No Buzkashi, o corpo de um cabrito morto, e sem cabeça, é colocado no centro de um círculo. Os competidores ficam a uns 200 metros, montados em seus cavalos enlouquecidos para a largada. Dado o sinal, os cavaleiros correm freneticamente em direção ao círculo.

    O primeiro a agarrar o bicho (o que não é nada fácil, pois pesa cerca de 70 quilos) deve dar uma volta no campo, previamente delimitado, e devolvê-lo  de onde o recolheu. Durante o percurso, os outros competidores tentam arrancar a carcaça do cavaleiro que a pegou primeiro. Vence o jogo quem devolver o cabrito dentro do círculo, depois de contornar todo o campo.

    Na época do conquistador Jengis Khan,  o corpo em jogo era o de um inimigo sem a cabeça, ao invés de um cabrito.         


     “QUEM NÃO TEM CÃO... CAÇA COM ÁGUIA” 
    Os Kyrgys das montanhas caçam com a ajuda da Águia Dourada

    No deslumbrante vale Grigorevsk, entre as montanhas nevadas de Tien Shan, as famílias nômades passam de geração para geração a arte da tradicional caça com a  Águia.

    Sagynbai, o domador de águias, nos recebeu com um sorriso dourado (quase todos colocam ouro nos dentes) e com a sua Águia empoleirada sobre o braço.Trajando a típica vestimenta verde, a CHAPAN e encimado pelo KAPLAK, tradicional chapéu Kyrgy de feltro branco, Sagynbai escalou a encosta da montanha com sua pesada Águia no braço. Assim que retirou a venda dos olhos do predador, a astuta águia voou como uma flecha sobre um coelho selvagem que ruminava entre os arbustos no vale, estrangulando-o instantaneamente com a força de suas poderosas presas. O perspicaz aquilíneo permaneceu sobre o pobre coelhinho, emitindo guinchos sibilantes, até que Sagynbai viesse recolhê-lo. 



    Uma águia adulta é capaz de caçar, além de coelhos, raposas e até lobos.



    KARAKOL, UM OÁSIS URBANO
    (foto 020 – grande)

    Seguimos a rota que cruza os Montes de Atalau, até atingir o segundo maior lago alpino da Terra, O ISSUK KUL LAKE, onde a minúscula cidade de KARAKOL surge como um oásis urbano. Suas casinhas em estilo colonial russo, sua famosa catedral de madeira feita sem nenhum prego,  suas ruas arborizadas com as neves da cordilheira do Tien Shan emoldurando a paisagem, oferecem uma visão majestosa ao visitante .



    MONTANHAS CELESTIAIS

    Penetrando fundo nas montanhas de TIEN SHAN, que significa Montanhas Celestiais, num cenário de indescritível beleza, fica o VALE DAS FLORES, onde formações rochosas com nomes sugestivos, como “a Rocha dos sete touros”, “Coração quebrado”, agregam lendas folclóricas e românticas ao Vale.


    UM NÔMADE PERGUNTOU AO GUIA, A HORA, O DIA, O MÊS E... O ANO EM QUE ESTÁVAMOS

    Conforme íamos adentrando pela estreita garganta do Vale, os resquícios de civilização iam ficando cada vez mais distantes. Já não havia mais estrada. A partir dali, a potente Nissan 4X4 escalava, quase na vertical, os rochedos que surgiam em nosso caminho.

    Na paisagem verdejante, salpicada de flores roxas e amarelas, destacam-se as tendas ou YURTAS, como gigantes cogumelos, onde os nômades vivem com a família, em total isolamento, enquanto pastoreiam o rebanho de ovelhas e o gado.

    O nômade BEISHEKEEV TOKTOBAI, vestido numa calça  de couro e num suéter de pele de carneiro,veio ao nosso encontro com um velho despertador nas mãos. Seus lábios ressequidos  contrastavam com os ofuscantes dentes de ouro. Colocando o despertador no ouvido, para certificar-se de que não estava funcionando, perguntou as horas para o guia Sergei. Em seguida, perguntou o dia, depois o mês e o ano em estávamos. Fiquei me perguntando quanto tempo já durava o seu isolamento.

    Toktobai nos convidou para um chá em sua YURTA. A Yurta, ou tenda, sistema de acampamento utilizado por Jengis Khan desde o século 13, é uma estrutura desmontável de madeira, forrada com pele e lã de carneiro, que protege tanto do frio quanto do calor. No interior, oferece o aconchego de um “lar doce lar”. O fogão à lenha  fumegava através da chaminé que saía pelo teto. De um lado da Yurta, ficam os pertences do chefe da família, do outro, as coisas da esposa e dos filhos. As peles, empilhadas num canto da Yurta, denunciam o rigor do inverno. Um tapete, com a imagem de MECA, pendurado na direção oeste, revelava a devoção islâmica da família de nômades.(O islamismo foi introduzido nesta região no século 9).



    LEITE DE CAVALO?

    O anfitrião fez sinal para que sentássemos sobre os tapetes que forravam o rústico chão. Em seguida, passou a rasgar um enorme pão e dividiu-o entre os presentes, enquanto sua esposa nos preparava chá num Samovar e kifir nas cuias, uma espécie de coalhada feita com leite fermentado de cavalo, ou melhor, de égua, bebida típica da região.

    Fui invadida por uma profunda paz carregada de admiração por aquela gente tão simples e tão brava , tão forte e tão frágil, tão rude e tão hospitaleira cuja sobrevivência depende do que a  natureza lhes oferece. Compadeci-me de ver, quebrado, o único indicador do tempo, o velho e descascado despertador. Retirei, então, o relógio do meu pulso e ofereci àquela mulher que me tratava como uma rainha em seu pobre castelo, sem nunca ter me visto antes. 

    O exemplo de desprendimento e simplicidade de vida daquela família nômade me  fez repensar nos valores  atribuídos pela sociedade Ocidental. Senti-me gratificada por saber que ainda existem povos cujos costumes permanecem intrinsecamente ligados a um passado distante, onde  jovens continuam bebendo leite fermentado de égua, ao invés de coca-cola.


  • Peru - Linhas de Nazca: Enigmas de uma Civilização Avançada

    Márcia Pavarini
    Ao longo de vários anos Márcia Pavarini percorreu o mundo viajando por todos os continentes e até aos Pólos. Foi anotando suas aventuras em diários que, hoje, perfazem aproximadamente 5.000 páginas. Ela esteve, até agora, em 240 países, de acordo com o critério de contagem da Travelers Century Club TCC. Na Coluna “Diário das 1001 Viagens” Márcia Pavarini divide com os internautas, do Portal, as experiências vivenciadas durante suas andanças.

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