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    Jaisalmer,
    uma das mais belas cidades do mundo!

    Postado em 24/11/2006

    JAISALMER – A CIDADE DOURADA


    Acordei coberta de areia na cabine do trem. Mas claro, eu já estava na região desértica do RAJASTÃO, a noroeste da Índia, conhecida como a terra dos Marajás. Pela janela pude ler o nome da estação que seria o meu destino nos próximos dias: JAISALMER.


    Desci esfregando os olhos, lambendo os lábios e os dentes para limpá-los da areia fina que invadiu as frestas do vagão.



    Ainda na penumbra, o táxi contornou os paredões da infinita muralha e adentrou a cidade velha por um dos Portões de acesso esgueirando-se entre os muros para não esbarrar o retrovisor. Foto 004 Quando cheguei em frente ao Hotel o sol já raiava no horizonte dando reflexos amarelados nos casarões que eu ainda não conseguia ver direito.



    Em poucos minutos, ela surge mágica, fascinante à minha frente: uma cidade inteira da cor dourada do deserto.




    Ela não é de ouro, mas desde o nascer ao por do sol parece ser.O brilho do Sol que reflete nas paredes de arenito fez Jaisalmer ser chamada de Cidade Dourada.



    Os palácios, os fortes, os templos, os casarões e os sobrados foram construídos em pedras de arenito e delicadamente entalhadas parecendo rendilhadas.




    Pedras rendilhadas? Foi o que me perguntei ao parar estarrecida diante de tamanha beleza, harmonia e grandiosidade das fachadas. Fazia tempo que eu não me emocionava a ponto de marejar os olhos com o colírio de uma bela arquitetura. É simplesmente, inacreditavelmente magnífico. Estonteante!




    _ Vamos, vamos, ainda temos muito que ver... foto 054 O guia me puxava, mas eu não queria perder um detalhe. Mas quaaaaantos detalhes! Seria impossível visitar tudo em 3 dias.Foi quando tomei a melhor decisão da minha vida tresloucada de viajante: resolvi ficar mais cinco, assim eu daria o ritmo ao invés de obedecer.




    Enquanto caminhava pelas estreitas ruelas, disputando o espaço com as vacas, camelos, cabras, pedintes, vendedores, rikshaws, lambretas, ciganos, mágicos, encantadores de cobra, gurus com turbantes coloridos, ascetas seminus e tocadores de flauta, o guia Mahesh, da casta Brahma (a mais alta na hierarquia hindu), foi me contando como surgiu a bela cidade.



    No ano de 1156, um príncipe chamado Jaisal resolveu fundar uma cidade no meio do inóspito deserto THAR, onde acabou virando passagem obrigatória das caravanas de camelos. Já no século 16, essas caravanas carregadas de valiosas mercadorias pagavam altos impostos para atravessar o deserto a caminho da Rota da Seda, do marfim, das especiarias, do índigo e do ópio entre a Índia e o oeste.



    Banqueiros, artesãos e comerciantes se estabeleceram e investiam parte de suas riquezas na construção de suntuosas casas, mansões e templos de arenito dourado, que são os chamados “HAVELIS”.

    Surgiu, então, uma espécie de competição entre eles, que queriam fazer da sua, a casa mais bela da cidade.



    Exuberantes em seus entalhes rendilhados, os HAVELIS são testemunhas sólidas dessa época de esplendor de Jaisalmer.

    O maior e o mais exótico HAVELI é o Patwon ki Haveli, que tem cinco andares e sessenta balcões. Esta inusitada obra de arte levou cinqüenta anos para ser concluída. Os HAVELIS ostentavam o status crescente dos ricos mercadores na sociedade e a supremacia dos marajás. Todos os havelis e palácios eram construídos com um cômodo especial para as mulheres, a zenana, desenhados especialmente para resguardá-las dos indiscretos olhares masculinos, bem como foram projetadas janelas de rótula através das quais podiam ver o mundo exterior sem serem vistas.



    Para proteger o reinado e a população de ataques invasores foi construída uma fortaleza em torno da cidade com quatro portões de acesso, os quais permaneciam trancados à noite e durante as tentativas de invasão. Suas muralhas de arenito, erigidas no topo da colina, resistem há séculos às agressões do tempo. Ainda hoje, abriga 10.000 dos 40.000 habitantes que vivem em toda a cidade. É uma das poucas fortalezas da Índia ainda ocupadas.



    O intenso comércio dá vida própria à cidadela. Vendedores forram o chão e as paredes com tecidos coloridos, panos bordados, brocados e tapetes prontos para nos transportar para o mundo das mil e uma noites. Andar pelas ruelas estreitas e sinuosas de Jaisalmer é viajar no tempo, flutuar nos sons, mergulhar nos aromas e deliciar-se com a profusão de cores, que nos leva a uma nova descoberta de cada sentido.




    Mulheres esguias com lenços e saias esvoaçantes dançam ao som das ektaras e dholaks fazendo tilintar as pulseiras, tornozeleiras e correntes de prata presas do nariz à orelha.



    Os magníficos palácios dos marajás e templos exibem alguns dos mais refinados trabalhos de alvenaria de Jaisalmer: o entalhe rendado em pedra.




    Os templos jainistas (religião que tem mais de 2 milhões de adeptos na Índia) construídos entre os séculos 12 e 15, são os mais imponentes. Diante do sol que se põe, suas paredes de arenito refletem um brilho que fez Jaisalmer ficar conhecida como a Cidade Dourada.

    Com o desenvolvimento do comercio marítimo e a desintegração do império dos Marajás no século 18, o Rajastão sucumbiu à decadência. Mas as glórias passadas permaneceram nas fachadas da deslumbrante arquitetura.




    O encanto da região não fica apenas por conta da cidade de Jaisalmer. Um safári pelo deserto, atravessando as pequenas aldeias, é a melhor maneira de conhecer o cotidiano de um povo que se harmoniza com a impiedade da aridez desértica. Mulheres e crianças colorem o cenário com suas vestes esvoaçantes, carregando na cabeça potes de água, bacias de estrume ou feixes de gravetos. Muitas vezes caminham por horas na areia escaldante, sob o um sol causticante para trazer do oásis o elemento mais precioso: a água.




    O deserto de Thar (que abriga a região do Rajastão) une Índia e Paquistão por uma planície desértica. Os dois países estão disputando há meio século o controle da Caxemira no norte, mas nem mesmo a guerra nas proximidades abala o impassível cotidiano deste povo cuja função principal é a sobrevivência.



    O guia Mahesh macerando a folha de marijuana para fazer
    a tradicional bebida chamada Bhang



    A bebida pronta



    Em pleno deserto coloquei a mão na massa e aprendi
    a fazer o dal (comida típica da Índia)




    Delicada pintura em hena feita nas mãos para os festejos familiares,
    principalmente durante os casamentos



    COMO CHEGAR: Há vôos da capital, Nova Délhi, para Jaisalmer. Há também saídas diárias de trens a partir de Jodhpur, com duração de oito horas, e uma grande freqüência de ônibus que levam cinco horas e meia de viagem.



    ONDE FICAR: Jaisalmer tem hospedagem para todos os bolsos, dentro e fora do forte. Para se sentir como um marajá dá para se hospedar no MANDIR PALACE HOTEL, antigo palácio dos Marajás, adaptado para acomodar os hóspedes; Fort Rajwada e o Himmatgarh Palace oferecem excelente acomodação. Há também, o Fort View Hotel, Guest House e o Hotel Paradise. Eu fiquei no Moti Palace, com uma vista esplêndida de toda cidade velha (kailash_bissa@yahoo.co.uk).

    QUANDO IR: Prefira ir de outubro a março, quando a temperatura é mais amena. Entre janeiro e fevereiro, acontece o Festival do Deserto. São três dias de apresentações de danças e músicas folclóricas, corridas de camelos, concurso de turbantes e feiras de artesanato. A data varia de acordo com o calendário lunar.

    DICA DA AUTORA: Não deixe de fazer um safári de camelo pelo deserto.



  • Márcia Pavarini
    Ao longo de vários anos Márcia Pavarini percorreu o mundo viajando por todos os continentes e até aos Pólos. Foi anotando suas aventuras em diários que, hoje, perfazem aproximadamente 5.000 páginas. Ela esteve, até agora, em 240 países, de acordo com o critério de contagem da Travelers Century Club TCC. Na Coluna “Diário das 1001 Viagens” Márcia Pavarini divide com os internautas, do Portal, as experiências vivenciadas durante suas andanças.


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