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    Delta do Okavango: O Rio que morre para dar vida ao deserto - Por Márcia Pavarini
    Postado em 22/06/2007

    O deserto de Kalahari suga o Rio Okavango
    antes dele chegar ao mar

    Por norma, o caminho natural das águas de toda a Terra é sempre o mar, porque é ao mar e não à terra que elas pertencem. Mas, ignorando as normas, a lógica e as leis da física, o rio OKAVANGO forma um Delta que não deságua, ou seja, jamais alcança o mar.

    O MAIOR DELTA DO MUNDO

    Por definição, “DELTA” é a área onde o rio encontra o mar.
    As águas do rio OKAVANGO, que vêm das terras altas de Angola, percorrem mais de mil quilômetros e são despejadas numa espécie de bacia, num grande recipiente formado pelas falhas geológicas de Gomare e Kunyere em Botsuana na África, formando o maior Delta do mundo: o Delta do OKAVANGO.

    As águas espalham-se como lagos pelas terras secas e sedentas do deserto de Kalahari dando origem a um ecossistema, um lugar de fertilidade e sobrevivência em meio à desolação do deserto. Animais de grande e pequeno porte, répteis, voadores roedores reconhecem no alagado uma rica fonte de alimento.


    COMO ACONTECE O FENÔMENO

    Os temporais de dezembro encorpam o rio Okavango em terras Angolanas. Seis meses depois, após percorrer mais de mil quilômetros em busca do oceano, o excesso é desaguado no Delta do Okavango em terras de Botsuana sem jamais encontrar o mar.

    Assim, em junho e julho o banhado chega ao ápice, alcançando a cidade de Maun, maior de Botsuana e centro administrativo do Delta.

    Quando as águas baixam, a terra fica irrigada e recoberta por uma espessa relva a qual vai alimentar não só os milhares de animais, aves, insetos, répteis, como toda a cadeia de vida existente na região.


    FLORESTA SUBMERSA DE PAPIROS

    Conhecido como o rio que nunca encontra o mar, o Okavango desaparece no deserto de Kalahari em 15.000 quilômetros quadrados numa confusão de lagos, canais e ilhas a noroeste de Botsuana.

    Do fundo das águas rasas, brotam as florestas de papiros em meio à densa vegetação.

    Os alagados formam um labirinto de canais nos quais os nativos navegam em rústicas canoas chamadas “MOKOROS”. No centro do Delta, fica a reserva de “MOREMI”, órgão oficial para a preservação da vida selvagem.


    SAFÁRI PELOS ESTREITOS CANAIS DO DELTA


    24/9/2001
    Às 7:30 da manhã o motorista da Land Rover veio me apanhar no acampamento em meio ao ressequido deserto de Kalahari. Depois de duas horas de trilhas arenosas e acidentadas chegamos ao local de onde saem as minúsculas canoas chamadas “MOKOROS” para o safári pelos canais do Delta.

    As mokoros são escavadas em um único tronco de árvore e a maioria delas é tão estreita que uma pessoa com o quadril um pouco mais avantajado não consegue se encaixar.

    Mal pude acreditar quando nós três: eu, o guia Simon e o poller (condutor da canoa) embarcamos naquela casca de ovo flutuante e tão instável, com a água a apenas dois centímetros da borda.

    A frágil canoa deslizava pelas águas rasas e mansas dos canais a  poucos metros dos elefantes e rinocerontes que vinham saciar a sede e se alimentar.

    Em determinados trechos, a floresta submersa de papiro fica tão densa que o barqueiro é obrigado a afastar os ramos para continuar navegando. Ao invés de remo, usa uma vara que vai apoiando no fundo do leito a fim de conseguir o impulso para a canoa se movimentar.


    E, assim, deslizamos por várias horas adentrando os labirintos dos canais do Delta, onde o único ruído vem da vida selvagem. Pássaros raros sobrevoam as savanas alagadas fazendo uma grande algazarra. Girafas, zebras, impalas, porcos do mato, mangostas, antílopes, veados, hipopótamos vêm se deleitar na riqueza do solo e na abundância da água.

    Mas a parte mais espetacular foi deslizar entre as “lilly water”, margaridas de água em tons de amarelo e lilás que forram a superfície da água, formando um enorme tapete colorido que se abre à passagem da canoa contornando o casco.

    O efeito de horas sob um sol abrasador, um calor escaldante e a extrema falta de umidade veio como uma martelada na cabeça. Mas nada melhor do que um refrescante banho no canal para acabar o problema, apesar do receio de trombar com um crocodilo.

    Navegar pelos canais admirando a vida selvagem bem de perto é uma das experiências mais relaxantes que se pode ter, mas, a visão de um horizonte totalmente plano não dá a noção da dimensão do Delta e de seus canais.

    Pensando nisso, a companhia aérea Mack Air faz vôos panorâmicos sobre a região.


    SOBREVOANDO O DELTA DO OKAVANGO

    Embarquei num “Cessna” 206 para um dos passeios mais inesquecíveis de minha vida.

    Vista do ar, a paisagem é deslumbrante. A grande área verde alagada estende seus tentáculos que vão se estreitando até serem sugados pelas areias douradas do deserto mais seco da África antes de atingirem o mar.

    Manadas de elefantes e impalas embrenham-se nas pastagens, impassíveis ao ronco do pequeno monotor.

    Mais uma vez, o Delta cumpre a sua sagrada missão de abastecer a vida neste Édem africano.


    Fonte: Marcia Pavarini




  • Márcia Pavarini
    Ao longo de vários anos Márcia Pavarini percorreu o mundo viajando por todos os continentes e até aos Pólos. Foi anotando suas aventuras em diários que, hoje, perfazem aproximadamente 5.000 páginas. Ela esteve, até agora, em 240 países, de acordo com o critério de contagem da Travelers Century Club TCC. Na Coluna “Diário das 1001 Viagens” Márcia Pavarini divide com os internautas, do Portal, as experiências vivenciadas durante suas andanças.

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