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    Butão, o país da felicidade! Por Márcia Pavarini
    Postado em 27/04/2010

    Marcia Pavarini -  texto e fotos

    Há um lugar no planeta que mesmo o mais experiente viajante considera um privilégio visitar: o Butão, onde a felicidade é mais do que um sonho, constitui a filosofia do país. Encravado entre as altas montanhas do leste do Himalaia, fazendo fronteira com a índia e a China, na re­gião do Tibete, este pequeno reino desafia a globalização para preservar tradições e permanecer um mundo quase es­condido. O nome dado pelo povo ao Butão é Druk YulLand, a Terra do Dragão Trovejante, por causa das violentas tem­pestades vindas do Himalaia durante o inverno.

    Após séculos de isolamento, somente em 1974, depois da abertura do país aos visitantes, é que o Ocidente pôde desfru­tar da herança espiritual, cultural e natural do Butão. Porém, para entrar nesse mun­do quase privado é preciso obedecer a al­gumas regras. Ao adotar a política do turis­mo responsável, o governo local determinou que as visitas ao Butão devem ser ar­ranjadas diretamente com as operadoras de turismo locais, credenciadas por ele, ou por meio de representantes em outros paí­ses. Ou seja, ninguém simplesmente pega um avião, desce por lá e viaja por conta. Isso não existe.

    Apenas cidadãos da India, com quem o Butão mantém estreitos laços comerciais, culturais e de defesa, é que po­dem entrar no país sem a intermediação de agências de turismo.

    Para evitar não só o turismo em massa como o impacto sociocultural, o reino decidiu restringir o número de turistas estabelecendo uma taxa diária, aproximadamente US$ 250 por dia. Nesse valor estão incluídos ho­tel de categoria turística, pensão comple­ta e tours de carro com motorista por várias regiões, acompanhados por guias qualificados que falam inglês. E tudo deve ser pago antecipadamente. Acredite: a viagem vale cada tostão gasto e o país devolve o troco, que é uma feliz recordação para o resto da vida.


    CONTROLE DE ENTRADA NO PAÍS

    Com esse controle, pouco mais de 28 mil pessoas visitam o Butão a cada ano. O visto deve ser previamente requisitado ao governo pela operadora (butanesa ou estrangeira), que o envia em formato PDF por e-mail. O documento deve ser im­presso e apresentado na chegada ao país.

    Paro, uma das principais cidades e a única com aeroporto, é a porta de entra­da do Butão e o primeiro contato do visi­tante com o país. Assim que o avião so­brevoa a região, já se avista o panorama do Vale de Paro acolchoado pela exube­rante floresta, que cobre 72% do ter­ritório butanês.

    A companhia aérea na­cional Druk Air é a única que opera vôos diários para lá, com jatos que conectam o aeroporto de Paro a cinco destinos: Nova Délhi e Calcutá, na India; Katmandu, no Nepal; Daca, em Bangladesh; e Bangcoc, na Tailândia.

    Há muita coisa para ser vista no Butão, mas não se preocupe, os guias o levarão à exaustão para visitar tudo, ou quase tu­do, o que o país tem a oferecer. O míni­mo para uma viagem bacana são dez dia (o máximo é quanto o bolso permitir). Manhãs e tardes são tomadas por visitas aos templos, mosteiros, museus e fortes. Por isso, o tênis é o calçado mais indica­do. Durante o verão, o sol é forte. Ócu­los e protetor solar são imprescindíveis, principalmente para assistir aos festivais. À noite é a vez da gastronomia. Embora a informalidade seja predominante du­rante todo o ano, a dica é vestir-se com certo pudor. Para a mulheres, melhor não usar roupas curtas ou decotadas nos lo­cais de devoção.


    ARQUITETURA TÍPICA

    Paro, assim como todo o país, é mar­cada pela tradicional arquitetura, que se revela uma das maiores relíquias do reino. As moradias, a maioria sobrados, são de madeira ou taipa, com balcões ou arcadas ricamente entalhados e pintados a mão em cores vibrantes. O mais interessante é que toda estrutura de madeira, tanto das casas como dos templos, é feita por meio de encaixe das vigas, sem o uso de pregos ou barras de ferro. As telhas são amar­radas com fios de bambu.

     

    Algumas pinturas de templos e casas são verdadeiras obras de arte, com dragões, flores, rodas da sorte e círculos astrológicos - no Butão, nenhuma decisão é toma­da antes de se consultar os monges  astrólogos. O dragão é o símbolo nacional, por isso um dragão branco aparece na bandeira laranja e amarela.


    SÍMBOLO DE FERTILIDADE TRAZ SORTE

    Entre as pinturas tradicionais, uma chama mais a atenção do visitante: é a de um pênis grande e ereto, visto na facha­da de casas, estabelecimentos comerciais e até de templos. Ao dar de cara com esse bizarro costume, não tire conclusões pre­cipitadas. O pênis por lá simboliza o deus da fertilidade e constitui uma espécie de amuleto que traz sorte e prosperidade para a família.

    A exuberância da arquitetura é exibi­da no dzong (forte), lhakbang (templo), goempa (mosteiro) e ainda no chorten ou stupa (espécie de santuário, com relíquias e imagens de Buda que, durante a visita, deve ser circundado no sentido horário, em sinal de respeito).


    TAKSANG – O TEMPLO MAIS SAGRADO DO BUTÃO

    É nas cercanias de Paro que fica o mais sagrado, espetacular e vertiginoso templo do Butão, o Taksang, conhecido como Tiger's Nest.Construí­do na encosta de um arrepiante penhas­co, a 900 metros de altura, é uma espécie de meca do budismo para o butanês, razão pela qual todo cidadão deve visitá-lo pelo menos uma vez na vida.


    Diz a lenda que o venerado guru Rimpoche, considerado o segundo Buda, chegou até lá no século 7a, montado no lombo de uma tigresa, para entregar-se à meditação numa caver­na. Daí o nome de Ninho do Tigre. O primeiro templo foi edificado em 1692 sobre a mesma caverna, criando-se assim o local mais sagrado do Butão.

    O acesso a ele é por uma trilha ín­greme de terra, que vai serpenteando a montanha. A certa altura da caminhada, atinge-se o topo da garganta que separa o desfiladeiro, de onde se avista, por in­teiro, o majestoso mosteiro grudado na face do penhasco parecendo desafiar a lei da gravidade. A visão é quase irreal. É hora de largar a mochila, encarar a paisa­gem e tatuar o Taksang na memória porque você nunca mais verá nada igual.

    O passeio todo leva cerca de seis horas, contando a caminhada, a visita ao mosteiro e o almoço (na volta) numa cafeteria que fica no meio do caminho. Tudo, claro, em companhia do guia e do motorista.

    A apenas 65 quilômetros de Paro es­tá Timphu, atual capital do Butão, sede do governo e da liderança budista. O rei e a cúpula dos monges dividem es­paço no suntuoso forte-palácio Tashicho, um estonteante exemplo da arquite­tura butanesa. Situado na bifurcação de dois rios, representa a alma da monar­quia e da religião budista.


    FESTIVAL ANUAL

    É no fenomenal pátio do palácio, de aproximadamente 10 mil m2, que ocor­rem as performances dos principais festi­vais do país, expressões da antiga cultura budista. Inspirados na história e tradição, esses eventos homenageiam o guru Rimpoche, que introduziu o budismo no Butão.

    O Tsechu (festival de máscaras) é mar­cado de acordo com o calendário butanês e termina com quatro dias de apresenta­ções, nas quais monges e dançarinos da comunidade interpretam danças e rituais com vestimentas e máscaras folclóricas, embalados pelo som dos tambores.

    É o acontecimento máximo do país. O povo considera uma bênção  poder com­parecer às danças e acredita serem essen­ciais para alcançar a iluminação. Na ocasião, homens e mulheres vestem as melhores e mais coloridas roupas e usam as mais res­plandecentes bijuterías. Levam lanches em tradicionais cestas de bambu para garantir o lugar durante todo o dia, na arquibancada ao redor do pátio, monta­da especialmente para o evento. O maior espetáculo fica por conta da mescla de uma profusão de cores entre a multidão que se apinha, sem qualquer tumulto, no imenso átrio.


    ARTE E MODA NO BUTÃO

    Basta uma caminhada pela tradicional Avenida Norzin Lam, no centro de Tim­phu, para descobrir a beleza do artesana­to de prata, cobre e bronze, a tapeçaria, brocados e tecidos. Aliás, o tecido e mode­lo das vestimentas têm tradição milenar. Os homens usam o gho, espécie de túni­ca até o joelho, de mangas largas, presa à cintura por uma faixa. As mulheres usam a kira, esbanjando charme e feminilidade.

    A Kira, quase sempre de cor vibrante, é uma peça longa, sustentada por presilhas na altura dos seios, que envolve a blusa de seda com mangas até o punho.

    Ao visitar o templo Changanckhang, ainda em Timphu, peça a qualquer mon­ge os dados da sorte para jogar. Depois, compre um rolo de bandeirinhas de orações (custa US$ 1). Vá até uma colina, faça um pedido e pendure as bandeirinhas. A magia da experiência tem tudo para ficar para sempre na memória.

    No Butão, cada lugar, por menor que seja, é um ponto de interesse. São mais de 2 mil templos, fortes e mosteiros budis­tas espalhados pelo reino. Marcado pela imaculada grandiosidade natural, a paisa­gem pode mudar de uma densa floresta subtropical para os grandes glaciares do norte - ou para a fértil zona temperada, como o Vale de PUNAKHA.

    Punakha, cidade que era a antiga capital do Butão, a duas horas e meia de carro de Timphu.

    Um dos passeios mais vibrantes é a travessia das montanhas pelo Passo Dochula, que separa as duas cidades a uma alti­tude de 3.140 metros. Dali, a visão da neve eterna que ornamenta os picos da Cordilheira do Himalaia no horizonte é estarrecedora. Bandeirinhas coloridas, espalhadas por todo o passo, esvoaçam com o forte vento, despejando no céu os desejos dos fiéis em forma de oração.


    TREKKING

    Para quem curte trekking, os roteiros no Butão são uma experiência fantástica. A variedade de trilhas vai desde simples caminhadas de três dias entre Timphu e Paro até o lendário Snowman´s Trek, de 25 dias, que leva quem tem excelente preparo físico às montanhas mais espetaculares do país. É considerado um dos mais difíceis do mundo, passando por 12 desfiladeiros acima de 4.500 metros de altitude.

    Para quem não quer andar tanto, um passeio pelo parque nacional em Timphu revela que, entre outras coisas inusitadas, existe um animal chamado Takin, bicho estranho que parece uma mistura de boi almiscarado com carneiro, mas com um chifre fino, em forma de ferradura, cuja origem está associada à mitologia reli­giosa do país.


    FÉ E DEVOÇÃO NO BUDISMO MAHAYANA

    As orações também são impressas em bandeirinhas coloridas e espalhadas por todos os cantos. Essas bandeiras representam uma pontes entre o mundo terreno e o paraí­so, e fazem parte da cultura do Butão. Se­gundo a crença, os mantras, impressos nas bandeiras, são liberados pelo vento, que os levam até o céu, onde o pedido será atendido.

    Elas tremulam por todos os lugares, em torno dos mosteiros, nos templos, palá­cios, nos memoriais, nas fortalezas, nas colinas, ao longo das estradas, nas pontes e, invariavelmente, no topo das vigorosas montanhas que abraçam o país. Verme­lhas, azuis, verdes, amarelas e brancas, elas salpicam a paisagem com as cores do arco-iris e parecem lembrar constantemente os deuses do comprometimento de tutela que eles devem ter com a Terra.

    Profundamente religiosos, os butaneses são adeptos do budismo Mahayana que prega a paz, a compaixão e a não vio­lência. Uma das coisas mais marcantes é a expressão de devoção do povo ao girar os coloridos cilindros de oração, que ficam na entrada de todos os templos.


    VAI UM PRATO DE PIMENTA?

    Depois de um exaustivo dia de visitas a templos, fortalezas, mosteiros e museus, nada como um bom prato de pimenta. Pimenta? Isso mesmo. Vermelha, verde, seca ou fresca, é o que mais se destaca em qualquer prato butanês. Quem gosta da "ardida" vai se deliciar com esse condi­mento, usado aos montes em todas as re­ceitas da culinária local. No entanto, se você é daqueles que não podem nem com o cheiro, possivelmente vai emagrecer alguns quilos durante a visita ao país, já que não há outras opções.

    Vale experimentar o aema datsi (pi­menta e queijo), o kewa datsi (pimenta e batata) ou ainda o sbamu datsi (pimenta e cogumelo). Provando isso, você terá conhe­cido os tradicionais pratos do Butão, que são saborosos, mas ardidos... Por lá, todo mundo tem uma hortinha de pimenta em casa. Andando pelas ruas, é comum ver maços do condimento nas sacadas ou es­parramados sobre os telhados para secar.

    Além da pimenta, outra paixão dos bu­taneses é o arco e flecha, o esporte na­cional. Assim como no Brasil há campinhos de futebol, lá existem campinhos de arco e flecha. As competições são mar­cadas pelo entusiasmo dos participantes, que gritam, dançam e fazem grande al­gazarra quando o parceiro de equipe acer­ta o alvo de 15 centímetros de diâmetro a a uma absurda distância de 145 metros.

    O pequeno reino, com aproximada­mente 700 mil habitantes de maioria budis­ta, coroou o primeiro rei em 1907, dan­do início ao sistema monárquico. Jigme Khesar Namgyal Wangchuck, de 28 anos, é o atual rei e o quinto a ter assumido o trono desde aquela época. Ele recebeu a coroa das mãos do pai, Jigme Singye, res­ponsável pela democratização desse pe­queno país na região do Himalaia.

    O sistema de união matrimonial adotado por lei é a poligamia, para homens e mulheres. Também é comum ver butaneses casados com pessoas de uma mesma família - o antigo rei Jigme Singye, por exemplo, é casado com qua­tro irmãs.


    ÍNDICE DE FELICIDADE: EM VEZ DO PIB O QUE VALE É O FIB
    (Felicidade Interna Bruta)

    A primeira vista não dá para entender a contradição: como um dos países mais pobres (de acordo com a ONU) pode figu­rar entre os dez mais felizes do mundo (segundo pesquisa realizada pela Univer­sidade Britânica de Leicester) Ao visitar o Butão, descobre-se a façanha.

    O segredo é que a felicidade é levada tão a sério que o país é o único no mun­do a ter medida para esse sentimento. Ou seja, foi adotada a política do Gross National Happines que significa "Felici­dade Interna Bruta" e mede a qualidade de vida da população, e não os valores materiais. Assim, em vez do PIB, o que vale é o FIB.



    Basta olhar a expressão serena e o sor­riso cativante dos butaneses para desco­brir a felicidade estampada em cada ros­to. O povo é amistoso, gentil e hospi­taleiro. Parece que nada no mundo é ca­paz de abalar a sua tranqüilidade, nem mesmo o estresse dos ocidentais. Hoje, a pobreza convive com a modernidade, com a televisão, o computador, hotéis de luxo e os celulares. Enquanto a popu­lação se concentra na busca da felicidade, por meio dos ensinamentos do budismo, o Estado se esforça para prover as condições básicas necessárias para o bom viver. Saúde e educação gratuitas são garantias de to­do cidadão.

    Não há mendigos e as taxas de anal­fabetismo, fome e violência são praticamente zero. O fumo e as bebidas alcoóli­ca têm venda proibida por lei. Existem campos de plantação de maconha, que é usada somente como alimento para por­cos, A única bebida consumida com o aval do governo é o ara, aguardente artesanal típica, baseada na fermentação do arroz. É servida nos restaurantes, princi­palmente na época dos festivais anuais.

    País de beleza intocada, onde a felici­dade supera os obstáculos materiais e cu­jos pilares religiosos são a paz, a com­paixão e a não violência, o Butão deve servir de exemplo ao Ocidente.

    Depois de algum tempo em solo butanês, observando a serenidade e a de­voção do povo, convivendo com a he­rança cultural e a filosofia de vida local, o visitante traz na bagagem a leve impressão de que, apesar das adversidades, a felicidade e a paz de espírito são bens tangíveis.


    Fonte: Márcia Pavarini



  • Peru - Linhas de Nazca: Enigmas de uma Civilização Avançada

    Márcia Pavarini
    Ao longo de vários anos Márcia Pavarini percorreu o mundo viajando por todos os continentes e até aos Pólos. Foi anotando suas aventuras em diários que, hoje, perfazem aproximadamente 5.000 páginas. Ela esteve, até agora, em 240 países, de acordo com o critério de contagem da Travelers Century Club TCC. Na Coluna “Diário das 1001 Viagens” Márcia Pavarini divide com os internautas, do Portal, as experiências vivenciadas durante suas andanças.

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