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    Terra Ronca - A rota das Cavernas (Por Márcia pavarini)

    Texto e fotos
    Márcia Pavarini


    600 milhões de anos atrás, a natureza se encarregava de formar uma das mais espetaculares atrações subterrâneas do hemisfério sul: as Cavernas de “Terra Ronca”, hoje consagradas como um  dos maiores  complexos espeleológicos,não só do Brasil, como da América Latina e também do mundo.

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    O nome do Parque soa estranho: “Terra Ronca”. A expressão deriva do rugido dos rios que atravessam as cavernas,e do burburinho das cachoeiras que despencam em suas entranhas.

    Camufladas entre a paisagem ressequida do cerrado, e emolduradaspelo suave contorno da Serra Geral de Goiás, as cavernas do Parque, oferecem um ecoturismo de grande aventura, recheado de emoção e adrenalina.

    Pouco conhecido e quase inexploradoo Parque de Terra Ronca vem despertando interesse de espeleólogos, geólogos, biólogos, turistas, e, particularmente,dos aventureiros, amantes da natureza e dos esportes radicais.

    No complexo, estão grandes sistemas de cavernas do Brasil. São mais de 60 cavernas “molhadas” atravessadas por rios, e 200 “cavernas secas”, mas apenas algumas foram exploradas,entre elas a Angélica, Terra Ronca I e II, São Vicente, São Bernardo, Lapa do Bezerra e São Mateus.

    Sete delas constam da lista das trinta maiores cavernas do Brasil. A Angélica, com 14.100 metros de extensão é a 4ª colocada do país.São várias cavernas esculpidas por rios, com formações moldadas durante milhões de anos, desde que a região era banhada pelo mar, no período Pré-Cambriano superior.

    O parque da Terra Ronca foi criado em 1989 para preservar o complexo de cavernas,berço de incríveisformações calcárias,como as gigantescas colunas de estalactites, estalagmites (formadas por gotinhas impregnadas por calcário que pingam por milhares e milhares de anos).


    Foto: Marcelo Notare

    As nascentes de águas límpidas, que correm dentro das grutas, oferecem um espetáculo à parte:os “bagres cegos”, que por viverem na escuridão das cavernas, ficaram albinos e cegos. Até nas pocinhas é possível ver essa rara espécie de peixe, cuja atrofia dos órgãos da visão e a despigmentação, representam não apenas um exemplo vivo de uma fauna ameaçada de extinção, mas um patrimônio genético inigualável para estudos sobre a evolução biológica das espécies.

    A região do parque fica no Planalto Central Brasileiro, a noroeste de Goiás, na divisa com o estado da Bahia. A melhor opção para se chegar até o Parque de Terra Ronca é partir da Capital Federal rumo ao nordeste Goiano. Seguindo pela BR 020, o caminho é por Formosa, Alvorado do Norte e Posse. Em Posse, deixa-se a BR 020 em direção a Guarani de Goiás. O Parque de Terra Ronca fica aproximadamente 40km de Guarani de Goiás.

    A cidade base para esse santuário natural subterrâneo é São Domingos, que fica 400km de Brasília e aproximadamente uns 50km de distância das cavernas.

    Muitos preferem se hospedar em pousadas rurais e familiares(algumas bem simples) no povoado de São João Evangelista, ou em campings mais próximos das cavernas. Todavia, conhecer ou se hospedar na histórica cidade de São Domingos é uma experiência que vale a pena.

    São Domingos tem sua origem relacionada com o garimpo do ouro no século 17º. O cartão postal da cidade são os casarões e a Matriz de São Domingos, do século 19º.  São Domingos é banhada pelos rios: Maravilha e São Domingos, cuja represa formou um lago, onde as famílias fazem piquenique e a criançada se diverte em suas prainhas.

    A pequena cidade de São Domingos oferece pouca infraestrutura de turismo para a exploração das cavernas, e o visitante deve estar imbuído de espírito de aventura para enfrentar as esburacadas estradas de terra. Mas acredite, o passeio lhe trará grandes recordações e qualquer dificuldade será apenas um detalhe.


    Caverna Terra Ronca, a mais famosa do parque

    A Caverna “Terra Ronca”, que deu nome ao parque, é a mais importante e espetacular caverna do complexo e também a mais visitada. A Terra Ronca é dividida em Terra Ronca 1 e 2, em razão de um desabamento ocorrido há milhares de anos que dividiu o acesso da caverna em dois.

    A visão da gigantesca boca da Terra Ronca1é dramática. O vão de entrada atinge fenomenais 96 metros de altura e 120 metros de largura, com salões medindo 760 metros de comprimento com100 metros de altura, onde ocorre anualmente a cerimonia religiosa de Bom Jesus da Lapa.

    Com uma abertura dessa magnitude, a claridade do sol ilumina caverna adentro por uma centena de metros.



    Conforme a escuridão vai tomando conta do ambiente, a tímida beleza desse sombriomundo subterrâneo passa a se revelar grandiosa sob a débil chama da luz de carbureto do guia, e as formações passam a representar figuras simulando flores, fungos, colunas, castelos, bolos de marshmallow, asas de anjo, cortinas, imagens, cérebros, catedrais... uma infinidade de formas que ficam à mercê da imaginação.


    Depois de cruzar a Terra Ronca 1 (por vezes atravessando o  rio da Lapa pela cintura), uma caminhada leva à Terra Ronca2, outra fenomenal boca com 120m de altura. Um percurso de mais ou menos 1 km pelo interior da gruta, leva aos pontos de maior interesse como: o Oco das Araras,(que é um lugar fantástico, onde vivem as araras), margeado por uma dolina (quenion) com 80m de altura.


    O que mais se destaca na Caverna Terra Ronca 2é o Salão dos Namorados. No último trecho, umsalão abre-se com 500m de diâmetro e aproximadamente 100m de altura, completamente adornado por imensas estalactites e estalagmites, colunas, ninhos de pérolas calcárias (aeólitos), flores de aragonita etravertinos.É comovente ver as delicadas "flores" de calcita, que mais parecem de porcelana, forrando a parede crua da rocha.

    A CAVERNA ANGÉLICA é uma das mais belas e também a de mais fácil acesso, com 14km de desenvolvimento e inúmeros espeleotemas. Apenas alguns quilômetros da caverna Angélica estão disponíveis para o turismo.


    Foto: Wagner Oliveira

    Já na Caverna SÃO BERNARDO o destaque é o chamado Salão das pérolas, com ninhos de pérolas formados por bolinhasmuitobranquinhas, tão perfeitas que parecem feitas à mão.

    A Caverna SÃO VICENTEé a mais radical, uma vez que o acesso é feito por rapel, numa descida vertical de aproximadamente 40 metros de altura, por isso, é considerada a caverna com maior nível de dificuldade do complexo de Terra Ronca.

    O buraco de entrada da São Vicente mede aproximadamente 60 metros de largura, por onde recebe o rio São Vicente, que é formado por 12 cachoeiras no interior da caverna. Fenômeno raríssimo!

    A caverna São Vicente constitui uma paisagem incrível com vários salões superiores, formações de travertinos e grande variedade de estalagmites e estalactite. Sua Boca de entrada constitui excelente via de descida para rappel.

    CAVERNA SÃO MATEUS ...Ao mesmo tempo impressiona e assusta
    A Caverna de São Mateus foi considerada, até pouco tempo, a maior do Brasil, perdendo para a Toca da Boa Vista (97300m), na Bahia. A partir do povoado de São João Evangelista, indo para a cidade de Guarani de Goiás/GO, entra-se à direita numa estradinha de terra, que só os guias conseguem achar, já que não há indicação de placas.


    Para visitá-la é preciso uma caminhada de aproximadamente 4 quilômetros por vegetação de cerrado e mata de galeria. Próximo à boca da caverna há uma íngreme descida que leva até uma estreita fenda de entrada.


    A entrada, propriamente dita, da caverna é um arco abobadado com uns 80 metros de altura, indicando que em época remota houve um desmoronamento. As rochas do desabamento vão forrando a descida íngreme até a boca. Quem olha de cima, não vê abertura de entrada.

    O vão de ingresso à caverna de São Mateus é como se fosse um poço, praticamente vertical, que mergulha na escuridão pelas entranhas da caverna.

    No buraco, só passa um corpo (não avantajado) e sem a mochila. Uma vez vencidos os obstáculos rochosos da entrada, um imenso salão abre-se, e a caverna mostra sua face frágil e suave, com delicadas formações calcárias.

    A imaculada escuridão só é deflorada pela chama tremulante do carbureto (acoplado ao capacete do guia) que vai iluminando cada salão projetando sombras fantasmagóricas. Nessa hora se vê a vantagem do carbureto sobre as lanternas que só iluminam um foco.

    À medida que se adentra nas galerias da Caverna de São Mateus, surgem as espetaculares formações que pendem do teto em forma de agulhas, palitos finos e frágeis. Nada se ouve ali dentro, além das batidas do coração.

    São Mateus é uma das cavernas mais ricas em espeleotemas do Brasil. Por dentro da caverna corre o rio São Mateus - que dá o nome à caverna.  São Mateus ao mesmo tempo impressiona e assusta. Há túneis por onde o visitante atravessa com água até a cintura e imensas catedrais repletas de monumentais colunas, asas de anjo e uma infinidade de figuras calcárias multicoloridas. Quando o rio São Mateus está claro, é possível ver os bagres albinos que costumam aparecer na prainha das dunas, atraídos pela luz dos carburetos, em busca de insetos.

    Terra Ronca é um parque envolvente e misterioso. Ao desvendar as entranhas da terra, atravessar salões com estonteantes formações calcárias e deslumbrar a ousadia da natureza, de repente você se dá conta de que está adentrando em outro mundo, como se fosse uma viagem ao centro da Terra.

    Enfim, Terra Ronca é um silencioso e encantador mundo subterrâneo, que hipnotiza e arrebata o visitante com suas surpreendentes atrações.

    São lembranças que ficam tatuadas na memória e que fazem a vida valer a pena.

    Para quem gosta de explorar cavernas, o Parque de Terra Ronca é um paraíso, e quem acha que não gosta, certamente mudará de opinião.



  • Ao longo de vários anos Márcia Pavarini percorreu o mundo viajando por todos os continentes e até aos Pólos. Foi anotando suas aventuras em diários que, hoje, perfazem aproximadamente 5.000 páginas. Ela esteve, até agora, em 220 países, de acordo com o critério de contagem da Travelers Century Club TCC. Na Coluna “Diário das 1001 Viagens” Márcia Pavarini divide com os internautas, do Portal, as experiências vivenciadas durante suas andanças.

     
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