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    Descobrindo a Itália - Sardenha, a remota ilha dos atuns!
    Postado em 01/09/2023

    Márcia Pavarini
    Textos e fotos

     

    O QUE FAZER NA ILHA DE SAN PIETRO

    O que me levou até a remota Ilha de San Pietro, na Sardenha, não foram apenas os tesouros naturais, como as lindas praias de águas cristalinas, as incríveis formações rochosas, as paisagens de tirar o folego, as trilhas e belas grutas, ou o charme do tradicional vilarejo de Carloforte, mas um evento internacionalmente famoso, o chamado Girotonno, um inusitado festival da pesca de Atuns, que atrai visitantes de todos os cantos do mundo. 

    Banhada pelo Mar Mediterrâneo e acariciada pelo vento morno que vem do Saara, a ilha de San Pietro é um paraíso pouco conhecido, o que mantém, não só os costumes inalterados, como a natureza intocada do local.

    A minúscula ilha de San Pietro fica a sete quilômetros a sudoeste da Sardenha, tem cerca de 51 quilômetros quadrados e possui uma única cidade/comunidade, a chamada CARLOFORTE.

    Colonizada em 1738, com permissão do Rei Carlos Emanuel III da Sardenha, a pequena ilha já era conhecida dos fenícios, romanos e sardos, ali ainda se ouve o tradicional dialeto tabarkino, uma mistura de italiano e árabe, uma consequência de imigrantes vindos de Tabarka, uma cidade da Tunísia que há vários séculos povoou a ilha San Pietro. Atualmente, além dos descendentes dos tabarkinos, a população é originária de Pegli, perto de Genova.

    Carloforte, a única cidade da ilha, abriga quase a totalidade de sua população de pouco mais de 6.000 habitantes.

    As estreitas ruelas da charmosa Carloforte estão espremidas entre os sobradinhos geminados, com balcões que pendem do alto, e dividem espaço com os restaurantes e lojas do comercio local. 

    Carloforte, lembra uma Itália da época comunal, graças ao seu relativo isolamento geográfico, o que manteve a Ilha com uma atmosfera familiar, onde todos os seis mil habitantes se conhecem, e muitos mantem algum tipo de parentesco. 
     

    POR QUE VISITAR CARLOFORTE?

    Diversão no Girotonno - Festival de Atuns

    O que é o Girotonno?

    A Ilha de San Pietro é rota dos atuns vermelhos, e uma vez ao ano, no final de maio e início de junho, eles cruzam, aos milhares, suas águas, vindos de todo oceano Atlântico, através do Estreito de Gibraltar, proporcionando a tradicional pesca, (ou matanzza) com inúmeros eventos aliados à gastronomia, é o chamado GIROTONNO. 

    O Estreito de Gibraltar está localizado no sul da Espanha e ao norte de Marrocos, o que permite a ligação entre o Mar Mediterrâneo e o Oceano Atlântico.

    Girotonno é o símbolo de uma tradição culinária, que representa a identidade e a alma da comunidade. O original festival gastronômico nos mostra os costumes, as histórias e os sabores das rotas do Atum, num evento internacional, que expressa a cultura milenar de uma tradição baseada na pesca do atum e dos “TONNAROTIS” (pescadores de atum).

    Durante a temporada do atum, os “tonnarotis” pescam em torno de 200 toneladas de atum vermelho, (volume permitido por lei) época em que, praticamente, todos os habitantes da ilha vivem em função do girotonno. Visitantes vindos de todas as partes invadem a ilha para participar desse famoso evento da Tonnara.

    Eventos do Girotonno

    É, justamente, nesses dias da TONNARA, que acontece o famoso festival do Atum, o GIROTONNO, com uma programação intensa de shows sob estrelas, palestras, demonstrações de cortes de atum, concurso de culinária, com famosos chefes provenientes de vários países. 

    Grandes protagonistas da cozinha italiana e internacional, preparam as receitas ao vivo e em cores, diante de uma plateia de mais de 100 pessoas, que compram ingressos para participar da degustação.

    Durante o Girotonno, a população do vilarejo de Carloforte triplica, e fica até difícil circular pelas ruelas, sem esbarrar nos transeuntes. É pura diversão para todas as idades, durante o dia, e também à noite.

    Barracas de produtos típicos são montadas ao longo da orla, brindando os visitantes com os aromas, as cores e sabores da inigualável culinária italiana.

    Por que a Ilha de San Pietro é tão importante para a economia?

    O atum vermelho é um peixe nobre, que tem um papel relevante na economia da região. Ele é exportado, em espécie ou processado, para vários cantos do mundo, especialmente para o Japão, onde vale milhares de dólares. 

     

    O INCRÍVEL MERGULHO COM OS ATUNS

    O ponto alto da minha visita à Ilha de San Pietro, foi o mergulho entre os atuns.

    Embarcados no bote dos instrutores de mergulho, o simpático casal DELIA e GIORGIO, fomos até o ponto onde os atuns se concentram nas redes. As redes são divididas em câmaras, onde os atuns vão se aglomerando e passando de uma rede à outra, até serem direcionados para o circuito final, na chamada “câmara da morte”, onde serão capturados.

    A sensação de nadar esbarrando nos imensos atuns prateados, é indescritível. O sentimento foi uma mescla de êxtase e consternação, pois aqueles maravilhosos exemplares, em algum momento, fariam parte do festival de gastronomia. 

     

    O QUE FAZER EM CARLOFORTE

    Giro pela ilha

    Além dos eventos sazonais, a Ilha de San Pietro oferece inúmeras atrações como trilhas, grutas, cavernas submersas, snorkel e scuba, além da cultura ímpar e gastronomia regional de Carloforte.

    Outro passeio imperdível é o giro pela costa da ilha, que pode ser feita de barco, carro ou moto, onde se pode apreciar as magníficas formações rochosas, como a bela Conca Mezzaluna, em forma de anfiteatro, num penhasco que despenca no mar.

     

    - La BOBBA, uma cênica praia, de onde se avista um Pináculo que se eleva do mar.

    - Calçadão de pedra, na Avenida da Praia, coração pulsante e cartão postal de Carloforte, onde se concentram os restaurantes, o comercio e o porto aonde chegam e saem as balsas, vindas da cidade base CALASETTA, na Ilha de Sant’Antioco.

     

    - Na arquitetura da vila, destacam-se o Palissau e a Igreja da Madonna Dello Schiavo.

     

    - Monumento erigido em homenagem ao monarca Carlos Emanuel III, (rei da Sardenha de 1730 até sua morte em 1773). Foi ele quem deu permissão para a colonização da Ilha de San Pietro.

     

    MELHORES PRAIAS COM ÁGUAS CRISTALINAS

    Piscina de Nasca – Nadar na piscina de Nasca é um dos passeios mais procurados. Nasca é uma série de piscinas naturais esculpidas nas rochas vulcânicas pelos ventos e pelo mar. Chegar até lá não é uma caminhada fácil, mas vale cada esforço.
    Il Giunco a 2 km de Carloforte é a praia mais longa.

    Girin – praia de areia e águas rasas.

    Punta Nera – melhor praia de areia para família e crianças

    La Bobba Essa bela praia é cercada por rochedos em ambos os lados, protegida do vento e coberta pela vegetação mediterrânea, de onde se tem uma vista panorâmica.

     

    ONDE COMER

    Em cada cantinho, esquina, ou ruela, você pode apreciar uma excelente refeição. Os meus restaurantes prediletos são:

    Da Nicolo (cotado pelo Michelin)
    Bistro Pomata
    Da Andrea
    Barone Rosso

    ONDE FICAR

    Existem inúmeros lugares para se hospedar na ilha, mas eu recomento ficar em Carloforte, e indico dois deles:

    O Nichotel, onde me hospedei, muito bem localizado e o Lu’Hotel com um terraço com vista para a baía.

     

    COMO CHEGAR

    Carloforte está localizado na Ilha de San Pietro, no Arquipélago Sulcis.

    Você pode chegar na Ilha de San Pietro com um ferry que sai de Portoscuso Sardenha e de Calasetta, na ilha de Sant’Antioco. O ferry da Delcomar faz o trajeto diariamente entre Portoscuso (Sardenha) e Carloforte, e  Calasetta (Ilha de Sant’ Antioco) e Carloforte (Ilha San Pietro).

    O preço do ticket varia na estação, mas é por volta de 8 ou 9,50 euros, se estiver com carro, tem um valor adicional de 20 euros.
    A reserva antecipada do Ferry só é necessária na alta estação.

    A Itália é o país com maior número de sítios que integram a Lista do Patrimônio Mundial, num total de 51.

    A grandeza artística, cultural, histórica e musical, fazem do país da bota um dos mais visitados da Europa.

    A melhor parte, depois de conhecer os pontos turísticos da Itália, é descobrir um cantinho quase inexplorado que ela tem a oferecer.


    Fonte: Marcia Pavarini


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